JUSTIÇA POR LETÍCIA
JUSTIÇA POR LETÍCIA
Que a dor da Letícia transforme o luto em luta. Que nenhuma mulher precise morrer para ser protegida.
Letícia tinha sonhos. Era mãe, filha, irmã, amiga, advogada e estudante de Medicina. Estava construindo um futuro e sonhava em cuidar de vidas. Mas sua própria vida foi interrompida da forma mais cruel: mais de 100 facadas calaram sua voz e destruíram o futuro de uma família inteira.
Não foi uma tragédia inevitável.
Letícia já havia denunciado o então namorado pelo crime de ameaça meses antes de ser assassinada. Mesmo assim, como acontece com tantas mulheres no Brasil, o sistema falhou em protegê-la.
Hoje, a pena para o crime de ameaça pode chegar a apenas um ano de reclusão ou multa, ou seja, nossa vida vale uma multa? Na prática, muitas mulheres denunciam, pedem ajuda, imploram por proteção... e continuam vivendo sob o medo constante de que a próxima ameaça se transforme em realidade.
E, infelizmente, muitas vezes transforma.
Precisou Letícia ser assassinada para que o agressor fosse preso.
Mas por quê?
É preciso esperar uma mulher morrer para que a Justiça aja? Quantas denúncias ainda serão ignoradas? Quantas mães deixarão seus filhos? Quantos sonhos ainda serão interrompidos antes que a vida das mulheres seja tratada como prioridade?
O Brasil segue entre os países com maiores índices de violência contra as mulheres e Minas Gerias está em 1º lugar no ranking de feminicídio no país. Não podemos aceitar que o feminicídio continue sendo encarado apenas como mais um número nas estatísticas.
Cada mulher assassinada tinha uma história, uma família, planos, afetos e uma vida inteira pela frente.
Por isso, este abaixo-assinado é por Letícia e por todas as mulheres.
É pelas que já denunciaram e continuam sem proteção.
É pelas que ainda encontrarão coragem para pedir ajuda.
É por cada família que não pode mais ser destruída pela violência.
Queremos transformar essa dor em mudança.
Reivindicamos:
1. Que o caso de Letícia tenha acompanhamento rigoroso, transparência e celeridade até sua conclusão, com a devida responsabilização dos culpados, sempre em respeito ao devido processo legal.
2. O aumento da pena para o crime de ameaça de morte, para que ele seja tratado com a gravidade que representa e permita uma resposta mais eficaz do Estado antes que a violência evolua para o feminicídio.
3. A implementação e o fortalecimento da Lei do Botão do Pânico, recentemente aprovada no município de Conselheiro Lafaiete/MG, para que essa política pública alcance mulheres de toda Minas Gerais e, futuramente, de todo o Brasil.
4. A ampliação de políticas públicas de proteção às mulheres, com mais Centros de Referência da Mulher, Casas Abrigo e serviços especializados de acolhimento.
5. O fortalecimento dos Grupos Reflexivos para homens autores de violência, como instrumento de prevenção da reincidência.
6. A implementação da Lei Maria da Penha nas escolas, formando novas gerações baseadas no respeito, na igualdade e na prevenção da violência.
7. Mais investimentos em segurança pública, prevenção, proteção e atendimento às mulheres em situação de violência.
A memória de Letícia não pode ser lembrada apenas pela brutalidade do crime que tirou sua vida.
Ela deve ser lembrada pelos sonhos que cultivou, pelo amor à sua família, pela coragem de recomeçar e pela esperança de construir um futuro melhor.
Nós não podemos trazê-la de volta.
Mas podemos impedir que outras mulheres tenham o mesmo destino.
Cada assinatura é um grito de basta.
Cada assinatura é um compromisso com a vida.
Cada assinatura é uma mensagem clara de que nenhuma mulher deve precisar morrer para que sua voz seja ouvida.
Parem de nos matar.
Assine. Compartilhe. Mobilize.
Por Letícia. Por todas nós.
Contactar o autor