À Empresa Gaúcha de Rodovias – EGR, ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul, ao Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul e às demais autoridades competentes.
Os cidadãos, empresários, trabalhadores, produtores rurais e demais moradores de Muçum, Encantado, Roca Sales, Vespasiano Corrêa, Dois Lajeados e dos demais municípios da região, por meio deste abaixo-assinado, vêm manifestar sua profunda preocupação com a interrupção total do tráfego de veículos sobre a ponte da ERS-129, que liga os municípios de Muçum e Encantado.
Compreendemos que a preservação da vida e da segurança deve ser prioridade absoluta. A própria Nota Técnica da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) informa que a interdição decorreu da constatação de comprometimento estrutural em um dos pilares da ponte, motivo pelo qual o bloqueio foi mantido, permanecendo autorizada apenas a passagem de veículos de emergência. A nota também informa que ainda estão sendo concluídos estudos de engenharia, sem previsão para o restabelecimento do tráfego, e que as soluções provisórias permanecem em avaliação.
Entretanto, a ausência de prazo definido e de uma alternativa segura de travessia tem imposto severos prejuízos à população.
Atualmente, o desvio indicado passa por estrada não pavimentada entre Muçum e Roca Sales, rota que já registra congestionamentos, interrupções do trânsito e atolamentos de caminhões, ocasionando atrasos significativos no transporte de pessoas, mercadorias, insumos e serviços essenciais. Um trajeto que normalmente demanda aproximadamente doze minutos passou a consumir cerca de uma hora, quando não há interrupções.
A interdição da ponte sobre o Rio Guaporé representa apenas a materialização mais recente de um problema que já era de conhecimento público. Muito antes da suspensão do tráfego, já existiam manifestações formais alertando para a necessidade de realização de vistoria técnica, emissão de laudo atualizado e eventual execução de obras de manutenção ou reforço estrutural. Ainda assim, a situação evoluiu até o comprometimento que hoje impõe o isolamento de Muçum e causa expressivos prejuízos econômicos, sociais e logísticos a toda a região.
Esse histórico gera legítima preocupação na população, que teme que a recuperação definitiva da ponte venha a ser conduzida pela EGR e Governo do Estado com a mesma demora e falta de prioridade verificadas na adoção das medidas preventivas, prolongando por tempo indeterminado os danos suportados por trabalhadores, empresários, produtores rurais e demais cidadãos que dependem diariamente dessa ligação regional.
Os impactos atingem diretamente trabalhadores, estudantes, pacientes que necessitam de atendimento médico, produtores rurais, transportadores, comerciantes e empresas de toda a região, comprometendo a economia local e agravando o isolamento de Muçum e dos municípios situados na parte alta do Vale do Taquari.
Também causa preocupação o fato de que a necessidade de avaliação estrutural da ponte já havia sido objeto de manifestações públicas anteriores. Em abril de 2026, por meio do Pedido de Providências nº 019/2026, a bancada do Partido Progressista (PP) da Câmara Municipal de Encantado solicitou a realização de vistoria técnica completa, emissão de laudo atualizado, execução das intervenções necessárias e divulgação de cronograma das obras, diante de registros que indicavam preocupação com as condições da estrutura. Também foi lavrada Ata Notarial, em 27 de julho de 2026, pelo Cartório de Registros Públicos de Muçum, registrando a existência dessa publicação e das referências ao pedido formulado meses antes da interdição da ponte.
Diante desse cenário, não pretendemos questionar a necessidade da interdição da ponte, pois a segurança da população deve prevalecer sobre qualquer outro interesse.
O que reivindicamos é que o Poder Público adote, com a máxima urgência, todas as providências necessárias para minimizar os impactos sociais e econômicos decorrentes da interdição, assegurando à população uma alternativa temporária de travessia enquanto perdurarem as obras de recuperação.
Assim, requeremos:
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A divulgação imediata e transparente do cronograma das medidas técnicas que serão adotadas para a recuperação da ponte;
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A apresentação de prazo estimado para o restabelecimento da trafegabilidade;
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A implantação urgente de solução provisória tecnicamente segura que permita a travessia de pessoas e veículos nas proximidades da ponte, seja por meio de ponte metálica, ponte do tipo estiva, passagem provisória ou qualquer alternativa considerada viável pelos órgãos de engenharia competentes;
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A manutenção permanente de informações oficiais atualizadas à população sobre a evolução dos trabalhos, evitando-se, assim, o grande lapso de comunicação que existe entre a população e a EGR;
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A atuação conjunta da EGR, do Governo do Estado, da Defesa Civil e dos demais órgãos competentes para reduzir os impactos econômicos e sociais causados pelo isolamento da região.
- A divulgação de boletins diários informando as condições de trafegabilidade na estrada alternativa entre Muçum e Roca Sales.
Este abaixo-assinado não possui finalidade político-partidária.
Trata-se de uma manifestação legítima da sociedade civil em defesa do interesse público, da mobilidade regional, da segurança da população e da preservação da atividade econômica de Muçum e dos municípios vizinhos.
A comunidade não pede privilégios. Pede apenas que a mesma urgência empregada para interditar a ponte seja empregada agora na construção de uma solução provisória segura e na recuperação definitiva da ligação que, há décadas, representa um dos principais eixos de integração do Vale do Taquari.
Muçum e toda a região não podem permanecer isolados por tempo indeterminado.