castração do gui
Decreto-Petição sob a Égide da Santa Inquirição
“Que se fechem as portas desta câmara e que apenas a verdade permaneça.
Diante do Trono, do Selo e do Olhar que tudo pesa, trazemos esta petição não como pedido, mas como advertência ao destino. Pois aquilo que cresce sem freio na carne apodrece a alma, e aquilo que apodrece a alma, cedo ou tarde, corrompe o reino inteiro.
É sabido pelos códices antigos, escritos com sangue e penitência, que os desejos indomados são sementes da heresia, da fúria e da desobediência. Onde não há contenção, nasce o caos; onde há caos, ergue-se a ruína.
Assim, pela autoridade que nos foi concedida pela Santa Inquirição, solicitamos a permissão para que se cumpra o Ato de Castração — não como castigo, mas como purificação. Que a lâmina seja instrumento da ordem, e a dor, testemunha da redenção.
Que o corpo seja silenciado para que o espírito aprenda a obedecer. Que o excesso seja arrancado para que reste apenas aquilo que serve. Pois melhor é perder parte da carne do que permitir que ela conduza muitos à perdição.
Se este ato não for autorizado, que fique registrado: o Conselho escolheu a complacência em vez da disciplina, a piedade em vez da salvação, e assumirá diante da História e do Juízo o peso das consequências.
Que se decida, então, não com o coração, mas com o ferro da razão e o fogo da fé.
Assim fala a Inquirição.
Assim será lembrado.”